Depois de vampiros bonzinhos, agora são os "zumbis" que resolvem se apaixonar!
Eu começo dizendo que sim, eu adorei!!! Vou defender essa ideia, não somente porque gostei da estória, é bem escrita, mas porque gostei da reflexão, da crítica social por trás dela.
A estória se passa num mundo pós-apocalítico, onde humanos e zumbis convivem entre mortes, miséria, reclusão e medo. "R", nosso protagonista zumbi, após comer o cérebro de um rapaz, começa a mudar seus pensamentos, ao contrário do que todos nós sempre vimos, esse livro mostra zumbis que tem capacidade mental, eles não tem mais habilidade de falar ou expressar, mas podem "pensar", ou através de suas próprias vivencias atuais ou de memórias absorvidas de suas vítimas, no caso de "R", ele tem além de suas próprias reflexões, passa a possuir uma certa conexão com o rapaz que serviu de "lanchinho" pra ele.
Entre tantas coisas que eu poderia dizer sobre o livro, vou me ater somente ao meu ponto de vista sobre o que é "zumbi", dentro do contexto dessa estória, porque acho meio chato os "spoilers".
Não existem raças diferente, existem apenas HUMANOS.
Não preciso citar o nome de nenhum cientista ganhador de prêmio Nobel para afirmar o que digo acima, biologicamente somos todos iguais, independente de nossas características físicas, no entanto, o conceito parte de Humano, para 'humanidade' e 'sociedade', somos seres que vivemos em bandos, desde as primeiras eras, o homem sempre precisou de um grupo para sobreviver, crescer e se organizar, isso nos torna diferente de alguns animais, nossa racionalidade, nossa capacidade mental para vivermos em sociedades organizadas. Não tenho nenhuma teoria do caos, sequer acho que o mundo vá acabar, mas a direção que o mundo toma é para um mundo cada vez mais 'seleto' e 'não natural', deixando de lado as questões cientificas, nos atendo somente às filosóficas, estamos aos poucos, perdendo nossas principais habilidades, a comunicação, por exemplo, já sofreu inúmeras interferências, existe uma quantidade significativa da população que já não sente mais a necessidade de se comunicar com seu próximo, estamos ha poucos passos da individualidade total do ser humano, onde passamos de 'grupo homogêneo', para 'grupo heterogêneo', os conceitos se perdem no decorrer do tempo, não somos mais tão violentos como na época medieval, por exemplo, mas ainda temos um instinto, um traço daquele homem brutal, ainda temos nosso pezinho fincado em nossas origens pouco 'sociáveis' e 'nada comunicativas'. O que quero dizer com todo esse 'bla bla bla' é que o homem só é o que é hoje, porque ele pensa, porque ele troca informações, porque ele aprende, porque ele muda, porque ele tem ATITUDE MENTAL. Se um dia nossa sociedade simplesmente sofrer um golpe muito forte, como uma alteração climática terrível, uma inversão de polos ou um fenômeno maluco desses qualquer, o que restar de nós, vai tentar da mesma forma que no início, fazer tudo de novo, da mesma forma!!! Esta enraizado em nosso DNA em nosso instinto primitivo. Dificilmente as pessoas procuram pensar e refletir se poderíamos ser diferentes, a humanidade é isso e ponto final. Não esta em todos nós a capacidade de ver a mudança, de procurar por ela, mas em apenas alguns, chamados líderes, pessoas que tem o poder de enxergar o rumo de uma forma diferente, capaz de observar o mundo a sua volta sem ideias pré-concebidas, capaz de ver a mudança.
Em 250 páginas de um livro sobre 'zumbis', se pode ver que nós sempre teremos medo daquilo que não conhecemos, alguns se entregarão ao desespero, outros procurarão a reclusão, se protegendo e apenas poucos tentarão consertar o que esta errado. Porque é mais fácil viver num estado inerte no coletivo, do que enfrentar um sistema já existente. Portanto, os 'zumbis' comem cérebro porque todo 'zumbi' come cérebro, por que, pra que? Não existe questionamento, o mal é mal, porque ele é mal! Por que ele é assim? Por que tem que ser assim ? Nessa estória alguém se tocou, alguém mudou algo muito importante que fará o mundo inteiro mudar. Não importa a fantasia, nem a estória em si, sequer o romance absurdo entre uma pessoa viva e outra morta, mas o que realmente importa é ver que você pode fazer a diferença se agir contra o que pregam à você que esta certo, você pode usar seu potencial para mudar o que esta indo contra aquilo que você no fundo, sabe que esta errado. Então, se pensarmos nos 'zumbis' como viciados, podemos ver que eles não precisam ser assim pra sempre, eles podem mudar, ninguém precisa viver na miséria, como animais, ninguém precisa matar, nem roubar para sempre.A vida e a morte, pode ser a metáfora mais perfeita desse livro, onde mesmo os 'vivos' parecem já ter morrido, quando já desistiram de viver, mas suportam suas carcaças em cima de seus ossos, quando na verdade estão 'mortos-vivos', se deixando levar por uma vida inútil, uma vida sem propósito. Você pode estar morto sem saber e pode ter sua chama da vida reacesa, se deixar entrar a luz pra dentro de você.
O livro vale pela reflexão, pela crítica social e filosófica!


